
Cada vez mais o ser humano tem vindo a questionar se está sozinho no Universo, ou se existem outras civilizações tecnológicas, cujo conhecimento lhes permita a deslocação entre sistemas estelares, independentemente das distâncias a percorrer.
Ao observarmos o céu nocturno, quando este se encontra limpo e sem qualquer tipo de “poluição luminosa”, ou nebulosidade, podemos observar milhares de estrelas, que se encontram a distâncias diferentes do nosso ponto de observação.
No Verão, altura do ano em que se pode observar as regiões mais centrais da galáxia, o que chama mais a nossa atenção, é a “mancha leitosa”, que contém a maior concentração de estrelas. Esta mancha é conhecida por nós como “Via Láctea”.
Já no Inverno, olhar para as estrelas, é o mesmo que observar a periferia da galáxia, que apesar de não ter tanta concentração de estrelas como na região central, contém á mesma, milhares de estrelas visíveis.
Assim, através da observação do céu nocturno, hábito humano já bem antigo, surgem questões pertinentes, que fazem parte da mente curiosa do ser humano:
· Será que existe outro tipo de vida?
· Será o grau de inteligência dessa vida, igual ou superior á nossa?
· Estaremos neste momento a ser observados por outras mentes curiosas?
· Será que essas mesmas mentes terão as mesmas questões sobre o Universo, tal como nós?
· Serão diferentes de nós ou serão parecidos?
· Serão benéficos para nós ou serão hostis?
· Em suma, haverá vida inteligente no Universo, tecnologicamente avançada, com capacidade de entrar em contacto connosco, ou com capacidade de virem até nós, presencialmente?
Segundo os conhecimentos adquiridos pela Astronomia, a nossa galáxia formou-se acerca de 14 bilhões de anos atrás e é classificada como sendo uma galáxia do tipo espiral (tem uma forma espiralada), composta por uma região central, um plano galáctico (onde estão os "braços" da espiral) e um halo esférico que a envolve por completo, tal como um campo aurico. Tem aproximadamente 100.000 anos-luz de diâmetro e uma espessura de 1000 anos-luz.
Ao todo, a nossa galáxia tem 400 bilhões de estrelas, o que indica que o Sol e todo o nosso sistema solar, são apenas uma pequeníssima parte desta galáxia.
O nosso Sol, a estrela mais próxima a nós, situa-se a 28.000 anos-luz do centro da galáxia e a 20 anos-luz acima do plano galáctico e descreve órbitas circulares á volta do centro da Galáxia. Cada órbita tem uma duração de 220 milhões de anos e é feita à velocidade de 250 km/s e desde que o Sol se formou como estrela, já completou cerca de 20 órbitas.
Independentemente de oficialmente ser admitida ou não, a existência de civilizações avançadas exteriores á nossa, com outros conhecimentos, outras culturas e outros modos de vida, existem formas de cálculo, que nos dizem que não podemos ser os únicos seres inteligentes no Universo. Um bom exemplo disso mesmo, é o “Principio de Copérnico”.
Outro exemplo a ser referido, para nos ajudar a responder a estas questões, é a “Equação de Drake”, que basicamente é um meio de sistematizar o que nos é desconhecido.
Como aplicar esta equação no tema que este artigo pretende desenvolver? Fácil.
Digamos que queremos fazer uma estimativa da quantidade de civilizações tecnologicamente avançadas (N). De todas as estrelas existentes na nossa galáxia (n), apenas uma fracção (fp) contém planetas. Desses planetas, apenas uns quantos permitem a habitabilidade (H) e dos planetas habitáveis, apenas uma parte irá desenvolver vida (fl).
Dos planetas que podem desenvolver vida, quantos irão permitir o desenvolvimento de vida inteligente (fi)?
Apenas uma fracção dessa vida inteligente irá desenvolver tecnologia (ft). Tendo em conta isto, podemos fazer o seguinte cálculo:
N = n × fp × H × fl × fi × ft
Alguns destes factores são mais fáceis de se calcular do que outros. Tal como referi acima, a nossa galáxia tem acerca de 400 biliões de estrelas (n).
Actualmente a nossa Astronomia tem conhecimento da existência de planetas em órbita de algumas estrelas e a cada mês que passa, novos planetas são descobertos, mas ainda não se conhece concretamente o tamanho da fracção de estrelas que têm planetas. Se formos optimistas, teremos uma fracção de 1, que essencialmente diz que todas as estrelas têm planetas.
Qual o número de planetas por estrela, que seriam habitáveis?
Os planetas teriam que estar localizados a uma distância da sua estrela, que os permitisse ser nem muito quentes e nem muito frios.
No nosso sistema solar, há três planetas potencialmente habitáveis: Vénus, Marte e claro, a Terra. Algumas estrelas suportariam menos, ou possivelmente nenhum planeta habitável. Digamos que em média, apenas uma em cada dez estrelas com planetas, tem um planeta que poderia conter vida.
O que temos até agora relativamente a planetas habitáveis?
N = 100,000,000,000 × 1 × 0.1 × fl × fi × ft
Isto ainda nos deixa muitos planetas que potencialmente podem albergar vida.
As próximas três fracções, podem ser um pouco mais complicadas. Se a vida pode se desenvolver, serão assim complicadas?
As opiniões divergem sobre este assunto. É neste ponto que o assunto da “vida em Marte” tem alguma aplicação. Se este desenvolvimento se mantiver, então a vida desenvolveu-se em Marte e na Terra e isto torna-se mais problemático ao dizer que é muito difícil desencadear-se o aparecimento de vida nos planetas referidos para o cálculo. Se acreditam que o aparecimento de vida é inevitável, tendo todas as condições necessárias, então considerem que fl = 1.
Agora temos a seguinte questão: Se a vida surge, tornar-se-á inteligente?
É uma questão difícil de se responder. A vida surgiu no nosso planeta à biliões de anos e os seres humanos surgiram à mais ou menos 100.000 anos.
Entretanto, a vida extinguiu-se por completo em Marte, caso realmente tenha existido. Quando me refiro em vida em Marte, não me refiro só às formas de vida microscópicas, cujos vestígios fósseis foram encontrados em rochas marcianas. Refiro-me a formas de vida mais desenvolvidas.
Para fins de estatística, vamos considerar uma faixa temporal de 100.000 anos "humanos", para 1 bilião de anos de vida, o que nos dá 1 em 10.000 planetas com vida, que desenvolverá inteligência.
Outra questão que surge: A vida inteligente inevitavelmente desenvolverá tecnologia?
Podemos argumentar para ambos os sentidos, mas vejam o caso da humanidade, que a dada altura passou a utilizar instrumentos de pedra, em vez de caçar à mão, por exemplo. Poderá uma criatura inteligente ser para sempre um caçador / colector, que utiliza ferramentas simples e rudimentares, independentemente das gerações que passarem?
Vamos partir do princípio que a inteligência obrigatoriamente leva ao desenvolvimento de tecnologia. Vamos então considerar que ft = 1. O que vamos obter?
N = 100,000,000,000 × 1 × 0.1 × 1 × 0.0001 × 1 = 1,000,000
Tradução: Um milhão de planetas que contêm uma civilização com tecnologia.
Até agora, na tentativa de calcular a probabilidade de existência de civilizações tecnológicas na nossa galáxia, utilizei o meu lado optimista, com números optimistas, mas para quem tem dificuldade em aceitar que algures na nossa galáxia podem existir outras civilizações avançadas, sugiro que utilizem números á vossa escolha. Escolham um número pessimista para baixar o número de planetas existentes na nossa galáxia, que tenham condições de albergar vida inteligente, até chegarem á possibilidade que aponta para apenas um planeta, que, escusado será dizer, será a Terra, o planeta no qual nos encontramos agora.
A humanidade desenvolveu tecnologia à muito pouco tempo, tendo em conta a sua existência que remonta até aos 100.000 anos. Se retermos a ideia de haver um número muito baixo de planetas que podem albergar vida e que podemos ser os únicos seres inteligentes existentes na nossa galáxia, então não nos devemos esquecer que existem muitas mais galáxias no Universo conhecido, do que o número de estrelas existentes na nossa galáxia. Assim sendo, mesmo que exista apenas um planeta por galáxia com capacidade de sustentar vida e dessa vida se tornar tecnologicamente avançada, ficamos com trilhões de planetas habitados.
Considerações finais
Sem referir aqui o que as estatísticas nos dizem sobre o número possível de planetas habitados, sem referir os inúmeros avistamentos de OVNI’s anualmente relatados por todo o planeta e sem referir os testemunhos dos milhares de pessoas que apresentam evidências de terem sido abduzidas ou contactadas por extraterrestres, quero apenas chamar a atenção para o facto de que a humanidade não é dona do conhecimento.
O ser humano, com toda a sua tecnologia e ciência, ainda não conhece na totalidade o planeta onde habita. Não conhece a totalidade da atmosfera do planeta e o que ela pode produzir e manifestar. Não conhece na totalidade o que existe nos continentes e nas suas florestas densas. Ainda nos dias de hoje, se descobrem novas espécies animais e vegetais. Não conhece na totalidade o que existe nos oceanos e mares. Não conhece na totalidade o que existe dentro da crosta terrestre. Não conhece na totalidade as funções do seu cérebro e por isso, continua a desenvolver estudos e experiências, para melhor o entender.
Na realidade, nós ainda nem conhecemos completamente o nosso sistema solar e ainda andamos á procura do nosso “elo perdido”.
Há muita coisa que ainda é desconhecida para o ser humano e que por isso é incompreendida, chegando em alguns casos a ser rejeitada devido aos preconceitos, aos dogmas e regras estabelecidas, entre outros factores.
Isto é referente apenas ao que existe perto de nós e que está mais acessível a nós do que o Universo, que está mais longe e ainda inacessível.
Tendo em conta o real conhecimento que nós, seres humanos modernos, temos actualmente sobre o nosso “mundo”, pergunto-vos o seguinte:
"Ainda não conhecem na totalidade o planeta onde habitam e julgam conhecer o Universo?”
É presunção da nossa parte, como civilização, acreditar que “estamos sós no Universo.”
Yavith