segunda-feira, 22 de junho de 2009

Uma lição de vida?

No dia 16 de Dezembro de 2008 tive uma experiência de instrução, na qual fui sempre acompanhada por um guia espiritual, que me levou a visitar uma pequena aldeia em desenvolvimento, algures antes de chegar á zona do rio Douro, a norte de Portugal.

Perguntei qual era aldeia, mas o guia não me revelou o nome, pois "não é informação necessária de momento".

Julgo que tanto eu, como ele, estavamos a vibrar numa frequência muito subtil, acima do plano astral, pois era isso que tinha presente no momento: "estamos num plano superior ao plano astral... esta "projecção é diferente".

O primeiro local a visitar ficava situado em frente á estrada principal da aldeia, que tinha sido alcatroada recentemente, por causa dos buracos originados pela passagem de veículos de grande porte. Cheguei a ver uma camioneta de longo percurso, de cor branca, que passou momentos após a nossa chegada.

Ouvia as pessoas a conversarem umas com as outras, com o seu sotaque típico da zona e podia observar como elas interagiam umas com as outras. Era como se eu realmente estivesse lá... via e sentia tudo.

O meu guia descrevia-me a história dessa aldeia á medida que eu observava as casas e as pessoas, por isso sabia o motivo de terem arranjado a estrada, recentemente. Descreveu-me como no passado aquela aldeia era mais "viva" e a sua população era em maior número. Tinha mais casas e era um ponto de paragem para os mercadores, que traziam produtos de Espanha, que por sua vez, era fornecida por pessoas vindas do oriente.

Achei tudo aquilo fascinante!

Sentia-me um "espirito livre" porque ninguém me via. Ninguém me ouvia. Não tinha peso e os meus movimentos eram leves e fluídicos. Tal como o meu guia espiritual que me acompanhava.

Reparei numa casa escura, de aspecto muito antigo e abandonado e senti o meu coração apertado. Senti que algo não estava bem com aquela casa. Esta casa ficava quase em frente a uma paragem de camionetas, que tinha como sinalização, apenas um poste com uma placa com a palavra "Camioneta", escrita com letras pretas.

De repente, tudo muda. O ambiente fica mais escuro e começo a ouvir gritos. Com esta alteração súbita, o meu coração "dispara" e quando olho para o meu guia, em busca de resposta, este começa a relatar o passado sombrio daquela aldeia e da casa de aspecto abandonado. Fiquei a saber que no passado, ali tinha vivido uma família que construiu a casa de raiz. Viviam como que á margem da sociedade, pois eram estrangeiros e não eram muito aceites pela população local.

Numa noite, juntaram um grupo de pessoas e invadiram a casa. Mataram a família e enterraram os corpos ali mesmo.

"O sentimento de xenofobia é muito antigo", pensei eu, ao mesmo tempo que sentia crescer em mim o desespero daquelas pessoas mortas á paulada. Foi realmente forte o que senti e acho que durante muito tempo, não o vou esquecer.

Depois dessa data, outras pessoas habitaram a casa, mas cedo se iam embora, pois ou havia morte na família, ou surgia doença, ou havia sempre acontecimentos negativos que obrigavam as pessoas a afastarem-se daquele local, que segundo o meu guia, tinha sido marcado.

O tempo foi passando e varias gerações depois, a casa estava ao abandono e a aldeia estava como que estagnada e moribunda. Não havia grande desenvolvimento. Os habitantes foram envelhecendo e nesta última geração, a grande maioria nasceu estéril ou doente. Tornaram-se pessoas "carregadas" e deprimidas e raramente eram visitados por pessoas vindas de fora. Só alguns grupos de "curiosos" iam lá muito de quando a quando, para "passarem uma noite na casa assombrada".

Na estrada também tinham sido testemunhados fenómenos estranhos e por vezes ouviam-se gemidos durante a noite.

O guia contou-me que após a morte daquela família e após as desgraças que aconteceram á "posteriori", os que cometeram o crime, resolveram remover os corpos da casa e enterra-los na estrada, depois de serem queimados, pois acreditavam que assim, o mal desapareceria, o que acabou por não acontecer.

Segundo o guia, isto aconteceu em 1860. Contou-me também que após tudo aquilo, as pessoas continuaram a viver a sua vida como se nada tivesse passado, mas que as suas consciências eram constantemente assoladas pelos gritos e pelo acto praticado.

Para mim, foi horrivel sentir tudo e ver tudo assim. Apesar de ter estado sempre acompanhada e protegida pelo guia, foi uma experiência que me marcou pela brutalidade e frieza dos acontecimentos.

No final, tudo pareceu clarear. Tudo menos a casa, que continuava escura. Passou outra caminoneta e reparei que esta, passava mesmo por cima do local onde a tal família tinha sido enterrada.

Perguntei se era possivel resgatar os espiritos que continuavam ali presos, pois era essa a vontade que sentia no momento, mas não obtive resposta. Perguntei de novo e a minha vontade cresceu bruscamente. Queria mesmo ajudar.

"Não te compete a ti essa tarefa. Neste caso, compete a estas pessoas, que ainda estão ligadas a estes espiritos, pelo mesmo elo kármico".

Neste momento, voltei-me para o meu guia, na esperança de tudo terminar e acho que ele sentiu isso. Ele aproximou-se mais de mim e num movimento suave, colocou a mão no meu ombro esquerdo, desviou o olhar para as pessoas que se encontravam á nossa frente e disse:

"Pior do que o esquecimento, é a indiferença!"

Sei que parece uma história de "fantasmas", mas foi o que me me aconteceu nesse episódia de instrução. Mais uma vez reforcei o sentimento de que as pessoas devem ser responsáveis pelo que fazem e devem ter consciência que os erros cometidos, têm as suas consequências, tanto nas vidas de que os pratica, como nas vidas daqueles que são vítimas da nossa ignorância momentânea.

Considero o que vivi durante esta experiência, como tendo sido uma lição de vida, pois tendo consciência disto, posso sempre transmitir a quem estiver disposto a ouvir, para que erros como este, não voltem a acontecer.

Tenham sempre em conta que tudo tem uma reacção e uma consequência e que os nossos erros, não só nos afectam a nós, como também afectam os outros, que se tornam vitimas dos nossos actos e agressões e as agressões podem ter varias formas.

Ponderem bem antes de agir, mesmo que julguem estar a proceder bem.

Yavith

1 comentário:

  1. Gostei muito de ter lido esta história.

    Em apenas um frase, a moral da história é explicada. É uma daquelas experiências que fica sem se saber explicar ou definir.

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