segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Reflexão sobre a existência de civilizações tecnológicas, fora da Terra


Cada vez mais o ser humano tem vindo a questionar se está sozinho no Universo, ou se existem outras civilizações tecnológicas, cujo conhecimento lhes permita a deslocação entre sistemas estelares, independentemente das distâncias a percorrer.

Ao observarmos o céu nocturno, quando este se encontra limpo e sem qualquer tipo de “poluição luminosa”, ou nebulosidade, podemos observar milhares de estrelas, que se encontram a distâncias diferentes do nosso ponto de observação.

No Verão, altura do ano em que se pode observar as regiões mais centrais da galáxia, o que chama mais a nossa atenção, é a “mancha leitosa”, que contém a maior concentração de estrelas. Esta mancha é conhecida por nós como “Via Láctea”.

Já no Inverno, olhar para as estrelas, é o mesmo que observar a periferia da galáxia, que apesar de não ter tanta concentração de estrelas como na região central, contém á mesma, milhares de estrelas visíveis.

Assim, através da observação do céu nocturno, hábito humano já bem antigo, surgem questões pertinentes, que fazem parte da mente curiosa do ser humano:

· Será que existe outro tipo de vida?
· Será o grau de inteligência dessa vida, igual ou superior á nossa?
· Estaremos neste momento a ser observados por outras mentes curiosas?
· Será que essas mesmas mentes terão as mesmas questões sobre o Universo, tal como nós?
· Serão diferentes de nós ou serão parecidos?
· Serão benéficos para nós ou serão hostis?
· Em suma, haverá vida inteligente no Universo, tecnologicamente avançada, com capacidade de entrar em contacto connosco, ou com capacidade de virem até nós, presencialmente?

Segundo os conhecimentos adquiridos pela Astronomia, a nossa galáxia formou-se acerca de 14 bilhões de anos atrás e é classificada como sendo uma galáxia do tipo espiral (tem uma forma espiralada), composta por uma região central, um plano galáctico (onde estão os "braços" da espiral) e um halo esférico que a envolve por completo, tal como um campo aurico. Tem aproximadamente 100.000 anos-luz de diâmetro e uma espessura de 1000 anos-luz.

Ao todo, a nossa galáxia tem 140 milhões de estrelas, mais coisa, menos coisa, o que indica que o Sol e todo o nosso sistema solar, são apenas uma pequeníssima parte desta galáxia.

O nosso Sol, a estrela mais próxima a nós, situa-se a 28.000 anos-luz do centro da galáxia e a 20 anos-luz acima do plano galáctico e descreve órbitas circulares á volta do centro da Galáxia. Cada órbita tem uma duração de 220 milhões de anos e é feita à velocidade de 250 km/s e desde que o Sol se formou como estrela, já completou cerca de 20 órbitas.

O Universo que actualmente conseguimos ver, mede mais de 13 mil milhões de anos-luz. Um ano-luz é a distância que luz percorre durante um ano à incrível velocidade de 300 000 km/s. Um ano-luz equivale a 9 460 753 090 819 km.

Independentemente de oficialmente ser admitida ou não, a existência de civilizações avançadas exteriores á nossa, com outros conhecimentos, outras culturas e outros modos de vida, existem formas de cálculo, que nos dizem que não podemos ser os únicos seres inteligentes no Universo. Um bom exemplo disso mesmo, é o “Principio de Copérnico”.

Outro exemplo a ser referido, para nos ajudar a responder a estas questões, é a “Equação de Drake”, que basicamente é um meio de sistematizar o que nos é desconhecido. Na realidade, isto é estatistica e os números podem ser variados, dependendo da nossa crença ou visão do problema em questão. Utilizem os vossos números para chegarem a um resultado e reparem que mesmo sendo pessimistas, no final ficamos com algo mais do que o nosso planeta habitado:

Vamos então estimar o número de civilizações extraterrestres tecnologicamente avançadas, que poderiam povoar a nossa galáxia, utilizando a Equação de Drake:

N = R* fp ne fl fi fc L

Nesta expressão, as diferentes variáveis significam:

N – número de civilizações extraterrestres tecnologicamente avançadas
R* – taxa de formação de estrelas adequadas (estrelas rodeadas de um espaço habitável suficientemente vasto e com tempo de vida, que permita o desenvolvimento de vida inteligente)
fp – fracção dessas estrelas que possuem sistemas planetários
ne – número de planetas por sistema planetário com capacidade para permitir o aparecimento de vida
fl – fracção de planetas onde surge a vida
fi – fracção desses planetas onde se desenvolve vida inteligente
fc – fracção de planetas com vida inteligente e onde se desenvolvem civilizações com tecnologia que permita a comunicação
L – tempo de vida dessas civilizações com capacidade de comunicar

Actualmente a nossa Astronomia tem conhecimento da existência de planetas em órbita de algumas estrelas e a cada mês que passa, novos planetas são descobertos, mas ainda não se conhece concretamente o valor da fracção de estrelas que têm planetas. Se formos optimistas, teremos uma fracção de 1, que essencialmente diz que todas as estrelas têm planetas.

Qual o número de planetas por estrela, que seriam habitáveis?

Os planetas teriam que estar localizados a uma distância da sua estrela, que os permitisse ser nem muito quentes e nem muito frios.

No nosso sistema solar, há três planetas potencialmente habitáveis: Vénus, Marte e claro, a Terra. Algumas estrelas suportariam menos, ou possivelmente nenhum planeta habitável. Digamos que em média, apenas uma em cada dez estrelas com planetas, tem um planeta que poderia conter vida.

Agora temos a seguinte questão: Se a vida surge, tornar-se-á inteligente?

É uma questão difícil de se responder. A vida surgiu no nosso planeta à milhões de anos e os seres humanos surgiram à mais ou menos 100.000 anos. O ser humano desenvolveu inteligência.

Outra questão que surge: A vida inteligente inevitavelmente desenvolverá tecnologia?

Podemos argumentar para ambos os sentidos, mas vejam o caso da humanidade, que a dada altura passou a utilizar instrumentos de pedra, em vez de caçar à mão, por exemplo. Poderá uma criatura inteligente ser para sempre um caçador / colector, que utiliza ferramentas simples e rudimentares, independentemente das gerações que passarem? As ferramentas primitivas dos caçadores são tecnologia.

A humanidade desenvolveu tecnologia à muito pouco tempo, tendo em conta a sua existência que remonta até aos 100.000 anos. Se retermos a ideia de haver um número muito baixo de planetas que podem albergar vida e que podemos ser os únicos seres inteligentes existentes na nossa galáxia, então não nos devemos esquecer que existem muitas mais galáxias no Universo conhecido, do que o número de estrelas existentes na nossa galáxia. Assim sendo, mesmo que exista apenas um planeta por galáxia com capacidade de sustentar vida e dessa vida se tornar tecnologicamente avançada, ficamos com milhares de planetas habitados.

Considerações finais

Sem referir aqui o que as estatísticas nos dizem sobre o número possível de planetas habitados, sem referir os inúmeros avistamentos de OVNI’s anualmente relatados por todo o planeta e sem referir os testemunhos dos milhares de pessoas que apresentam evidências de terem sido abduzidas ou contactadas por extraterrestres, quero apenas chamar a atenção para o facto de que a humanidade não é dona do conhecimento.

A nossa galáxia fotografada a partir do Vale das Éguas, Serra da Estrela
Foto de Filipe da Veiga Ventura Alves

O ser humano, com toda a sua tecnologia e ciência, ainda não conhece na totalidade o planeta onde habita. Não conhece a totalidade da atmosfera do planeta e o que ela pode produzir e manifestar. Não conhece na totalidade o que existe nos continentes e nas suas florestas densas. Ainda nos dias de hoje, se descobrem novas espécies animais e vegetais. Não conhece na totalidade o que existe nos oceanos e mares. Não conhece na totalidade o que existe dentro da crosta terrestre. Não conhece na totalidade as funções do seu cérebro e por isso, continua a desenvolver estudos e experiências, para melhor o entender.

Na realidade, nós ainda nem conhecemos completamente o nosso sistema solar e ainda andamos á procura do nosso “elo perdido”.

Há muita coisa que ainda é desconhecida para o ser humano e que por isso é incompreendida, chegando em alguns casos a ser rejeitada devido aos preconceitos, aos dogmas e regras estabelecidas, entre outros factores.

Isto é referente apenas ao que existe perto de nós e que está mais acessível a nós do que o Universo, que está mais longe e ainda inacessível.

Tendo em conta o real conhecimento que nós, seres humanos modernos, temos actualmente sobre o nosso “mundo”, pergunto-vos o seguinte:

"Ainda não conhecem na totalidade o planeta onde habitam e julgam conhecer o Universo?”

É presunção da nossa parte, como civilização, acreditar que “estamos sós no Universo” e que o nosso planeta tenha sido o único ponto do Universo a desenvolver vida inteligente e que essa vida inteligente tenha desenvolvido tecnologia.

“Se estivermos sozinhos, então parece-me um terrível desperdício de espaço”.
Frase de Carl Sagan


Yavith

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